Carlos Ramos, Luís Cohen Fusé e Pedro Castanheira em destaque na Galeria de Arte do Casino Estoril


Em destaque na Galeria de Arte, os visitantes do Casino Estoril podem contemplar, até ao próximo dia 29 de Outubro, a exposição de Escultura e Pintura “Carlos Ramos, Luís Cohen Fusé e Pedro Castanheira”. A entrada é livre.

No texto de apresentação do catálogo da exposição, da autoria do crítico de arte da A.I.C.A., Edgardo Xavier, retira-se: “Três linguagens estéticas se mostram nesta apresentação colectiva. Começo pelas esculturas de Carlos Ramos que sente o natural e o dá como leveza de suor e fogo, de ideia. Vegetais, flores, o todo e a parte, a estrutura que pode levar-nos à essência sempre difícil nos materiais. Percebemos o homem, a riqueza austera das formas, o resumo que se engrandece de simplicidade sem metáforas, ousando ser na floresta das ideias herméticas a virtude da verdade quase nua.

De Luís Cohen Fusé o regresso incontornável ao começo, já distante, já eco por se ter perdido nos meandros da descoberta, no mágico sentido das cores, na invenção das formas. Feérica ou sóbria, a sua pintura cruzou etapas de realismo irónico, de tão abissal diferença de meios que pôde sempre ser a referência que marcou e foi fiel ao que vinha do seu País. As mulheres e os tecidos, o garrido das cores, o rigor dos pormenores. Outras vezes, tanques de jardim, as folhas e as flores, os lírios vestidos luxuosamente como os que já faziam sombra à grandeza de Salomão. Foi duro chegar, foi difícil ficar, foi triste ter ido sem tempo para avisar.

E, finalmente, Pedro Castanheira. Nunca simples mas sempre claro, cuidado e atento ao melhor da composição. Há nele coisas que vêm de longe como o gosto pelos recados dos mestres, pelo idealizar a novidade com as lições do que viveu e abordou. Fez-se à custa de muito trabalho, de atenção e pesquisa. Figurativo e inovador, mantém uma sensualidade discreta, misto de realismo e poética, como se pintar não pudesse excluir os parâmetros da sua autenticidade que se revela e esconde. São fascínios que induz a quem olha para lá do óbvio que também está mas pode não ser.”

De referir que infelizmente Luís Cohen Fusé faleceu no passado mês de Julho mas que a família do artista achou por bem manter a exposição agendada antecipadamente.